REVOLUÇÃO TÉCNOLÓGICA
Com o surgimento da ferrugem do cafeeiro, no Brasil, em 1970, alterou-se o comportamento tecnológico na cafeicultura. As pulverizações, que só ocorriam eventualmente passaram a ser espaçadas de 30 em 30 dias, iniciando em novembro e indicava-se de
O Triadimenol, com o nome comercial de Bayleton, era vendido para trigo com excelentes resultados nas doenças indicadas. O trigo era uma cultura com grande esperança nacional. Os inícios dos trabalhos da Embrapa foram calcados na triticultura principalmente no sul do Brasil. A Bayer dominava esse mercado e ao mesmo tempo trabalhava paralelamente o café com Bayleton mas , sem grandes focos na cafeicultura pois a logística comercial concentrava se em soja e trigo numa indicação de “dobradinha” na rotação de culturas, muito preconizada tanto pela Embrapa como os agrônomos de modo geral. Infelizmente o trigo não deslanchou a contento, apesar da alta tecnologia introduzida pela Embrapa, tanto para as variedades nacionais, mais ao sul do Brasil, e as mexicanas no norte e oeste do Paraná e Mato Grosso do Sul e São Paulo. Por outro lado, a soja que tinha uma área incipiente, passava a crescer rapidamente e chegamos como a principal cultura no Brasil inclusive, responsável pela abertura do centro oeste brasileiro. Um tremendo sucesso e hoje, sabemos como a soja introduzida pelos Paranaenses e, principalmente os Gaúchos, que sem dúvida alguma, foram os principais responsáveis da abertura do Centro - Oeste e, a região em apenas 20 anos tornou se um forte celeiro do Brasil e do mundo. Temos que “tirar o chapéu” para os gaúchos. No café iniciou-se com os paulistas, paranaenses e depois os mineiros, pela ordem de crescimento de produção. Hoje, Minas Gerais domina a cafeicultura.
Com as aplicações sucessivas de Triadimenol e o café permeando as lavouras de trigo, principalmente no norte do Paraná e, muitas fazendas tinham trigo e café, os abastecimentos dos pulverizadores numa caixa de água centralizada na fazenda e muitas das quais rodeadas de café passaram a observar que aqueles cafeeiros próximos ao abastecimento permaneciam enfolhados e sem ferrugem. Isso despertou “os olhos” do vendedor Sr. Valentim e do agrônomo do I.B.C de Paranavaí, Dr. Ronaldo de Campos Borges, que atualmente, é um profissional respeitado e também cafeicultor em Araxá , Minas Gerais. Em 1984 começamos a visitar algumas experiências de campo juntamente com o Eng. Agrônomo Juan Cândia Navarro, chileno e agora brasileiro de coração, residente
Com inúmeras variáveis de
Bayleton mais Disyston, principalmente no Paraná, no espaçamento 4 por 4, com uma dose única por cova, como prevalecia no Paraná. Nessa época ainda existiam
As pesquisas andavam a todo vapor numa embalada frenética e a Bayer dando total autonomia e o produto sendo testado em dose de I.A (ingrediente ativo) / hectare, na pesquisa interna, na pesquisa oficial principalmente pela equipe do Dr. Matiello do extinto I.B.C. O primeiro relatório técnico nesse sentido foi emitido pelo agrônomo da Bayer, no norte do Paraná, Ademir Santini, hoje, ainda na Bayer
No andamento das vendas e investimento forte em pesquisa, como exemplo, o próprio signatário possui 108 trabalhos de pesquisa com Triazóis / Baysiston, publicados em Congressos de Café, visando os seguintes lados técnicos como: aumento da produtividade, aumento do sistema radicular (ação hormonal), aumento de café cereja, maior resistência a seca, melhor vigor vegetativo, MIP, análises de resíduos em todos os países consumidores de café, sistema de aplicação, entre outros. Considerado o produto mais pesquisado no Brasil, detectamos a necessidade de aumentar a adubação pois, o cafeeiro não resistia à carga. Na época o Dr. Santinato, do extinto I.B.C, pesquisou e disse-nos que teríamos que quase dobrar a dose, principalmente de nitrogênio e potássio e, também dosar o adubo por hectare e não mais por cova ou planta. Revolucionamos a adubação após inúmeras pesquisas e, todos técnicos vendo os resultados de pesquisa nos Congressos de Café e, na prática, aderiram rapidamente. Nessas alturas o Baysiston deslanchou juntamente com a produtividade. Quebramos diversos paradigmas seculares e saímos de uma produtividade histórica de 150 anos de mensuração com 09 sacas por hectare (vide livro Cafeicultura Brasileira de Marcelino Martins) e, hoje, estamos batendo nas vinte sacas
A equipe da Bayer e principalmente os agrônomos do I.B.C, tiveram uma enorme capacidade para essa revolução tecnológica e totalmente brasileira, pois, o Baysiston só existia no Brasil portanto, um produto brasileiro e revolucionário, pois, com a visão de aplicação via solo abriu se o leque para outras sistemáticas como o Imidacloprid em aplicação drench no tabaco que também foi revolucionária contra o sistema de 4 aplicações de inseticidas
Revolucionou a cafeicultura e abriu-se o horizonte para novos desenvolvimentos de pesquisa de fungicidas e inseticidas, dobramos a produtividade graças ao empenho técnico de outros grandes agrônomos como Rodolfo San Juan hoje, na Bayer em Franca, Eng. Agrônomo José Alberto Paranaíba, ainda trabalhando na Bayer, e o Eng. Agrônomo José Lourenço atuando em Minas e residindo
Ainda a Bayer introduziu nos anos 90, o sistema de troca física de café por insumos, com total segurança aos cafeicultores pois, a Bayer trabalhava com corretora e os preços de garantia travados na BM&F. O produtor só levava vantagens. Dentro desse trabalho, o engenheiro André Luis Brante, atualmente diretor da Bayer
Esses técnicos citados foram empáticos e comprometidos com o trabalho e com nossa cafeicultura. No último Congresso Brasileiro de Café, em novembro de 2011 , os encontrei em Poços de Caldas, ficando muito feliz em revê - los dentro de um espírito de amizade marcando minha vida profissional. Rendo uma homenagem especial a esses verdadeiros amigos de muitos anos de trabalho pois, esse signatário oriundo do bairro do Rio Claro lá de São João da Boa Vista – SP, sai da roça, fui descalço para a escola primária como um caipira e, tornei-me um executivo de uma grande multinacional. Andei pelo mundo, não só cafeeiro, graças ao empenho e apoio desses colegas e amigos.
A partir desse trabalho implantado surgiram novas firmas que vieram depois ajudando a solidificar a sistemática de controle da ferrugem e hoje existem diversas opções e grande parte dos cafeicultores aderiram ao método de controle via solo. Hoje, é uma realidade o excelente controle de ferrugem juntos com algumas pragas que provocam seguramente 50% de prejuízo na produtividade.
Escrever do feito é fácil, o difícil é continuar evoluindo mas, nenhuma edificação consegue se manter se não tiver um bom alicerce. Outro aspecto que ouvi na última formatura de agrônomos da ESALQ em Piracicaba: “- O Agrônomo além de Hi Tech precisa do seguinte: plantando amizade, cultivando relacionamento e colhendo resultado” dito pelo Eng. Agrônomo professor Drº Marco Jank, paraninfo da turma de agrônomos da ESALQ. Três verbos na frase dita: plantar, cultivar e colher. Todos estão conjugados no gerúndio. O passado está pronto vamos continuar construindo em prol dessa estupenda e maravilhosa Agricultura Brasileira.
Armando Matielli
Engenheiro Agrônomo
MBA na FGV
Cafeicultor em Guapé / MG
Presidente Executivo da SINCAL
Actualizado em (Segunda, 06 Fevereiro 2012 07:05)








