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Apresentação do presidente da SINCAL, Sr. Armando Mattiello, na Audiência Pública “Cenário da Política pública Brasileira para o Café”.

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Poderia US $ 0,10 resolver o grande problema do café no mundo?



Natalio Cosoy (@nataliocosoy)
BBC World, Bogotá

Com o grosso bigode e firme caminhada, Juan Valdez, acompanhado de sua mula Conchita, é a imagem do cafeicultor colombiano.

E, embora nas plantações de café do país seja possível atravessar caminhos com homens que poderiam encarar esse personagem fictício, você vê pessoas muito velhas pegando aquela fruta e também crianças. Este é um dos grandes problemas de uma indústria gigantesca em que o primeiro elo na cadeia de valor é o mais fraco.

"Eu chamo isso de neocolonial", diz Fernando Morales de La Cruz, da Café for Change, uma das muitas empresas de café socialmente orientadas. Segundo ele, é devido à concentração de riqueza enorme em grandes empresas multinacionais e à baixa porcentagem dessa renda que atinge os países produtores, onde é comum que os camponeses vivam na pobreza e haja trabalho infantil.

O gerente geral da Federação Nacional de Produtores de Café da Colômbia (FNC), Roberto Vélez, informou na segunda-feira, no final do 84º Congresso do Café da Colômbia, a baixa renda dos trabalhadores de campo dedicados a esta cultura, em relação à economia global do café, que totalizou US $ 200 mil milhões por ano, dos quais: "Os produtores mundiais só têm acesso a menos de 10%".

Na Colômbia, por exemplo, disse que a produção anual de cerca de 14 milhões de sacas (60 quilos cada) gera US $ 2.289 milhões de dólares. Se todo esse dinheiro fosse benéfico dos produtores - não é assim, porque há custos de produção e de distribuição que pagam, entre outros - as 750.000 pessoas que trabalham diretamente no cultivo receberiam um salário mínimo legal, em torno dos EUA $ 240.

É uma situação que se repete no mundo do café, dos quais cerca de 25 milhões de famílias (125 milhões de pessoas) vivem em países da África, Ásia e América Latina, de acordo com a Organização Internacional do Café (OIC).

Vélez disse à BBC Mundo que, na Colômbia, eles têm um problema com a idade dos cafeicultores, com idade média de 53 anos, mas no caso do trabalho infantil, não é realmente que existam crianças escravas, é uma prática tradicional do campesinato do país (EUA aponta para a produção colombiana de café devido ao uso de crianças).

De qualquer forma, o gerente geral do FNC vê que a concentração de grandes compradores de café em quatro ou cinco grandes empresas transnacionais que representam 75% da demanda afeta os produtores.

"O que uma xícara de café custa em Nova York, US $ 3,5, um produtor recebe US $ 0,05", disse ele.

"A cadeia de valor tem um desequilíbrio".

"Cada vez mais desvantajoso".

Hoje em dia, em Medellín, ocorre o primeiro Fórum Global de Produtores de Café, uma iniciativa do FNC onde procura alternativas à sustentabilidade econômica dos produtores.

É claro para o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, cujo primeiro trabalho foi como representante da Colômbia antes da OCI e nunca deixou o mundo do café.

"Nós concordaremos que nada proposto faz sentido se o cultivo do café não é uma atividade lucrativa para todos os atores da cadeia, incluindo, claro, os produtores", disse ele na abertura do Fórum Mundial.

Ele próprio descreveu o impacto da concentração do mercado do café em poucas mãos (especialmente entre compradores, torradores e distribuidores): "Em muitos casos, o acesso dos cafeicultores ao mercado, especialmente os pequenos, é cada vez mais desvantajoso e eles devem negociar em condições muito desiguais, o que deve motivar uma discussão serena e realista de como compensar essas assimetrias ".

José Sette, diretor executivo da OCI, disse à BBC Mundo sobre a situação dos agricultores: "Eu não acho que haja um consenso geral, mas há consciência desse problema (na indústria)".

Ele acredita que é um primeiro passo para o qual, então, é necessário encontrar soluções inovadoras e criativas para uma situação que, se não resolvida, possa ter um impacto na produção.

No entanto, ele não considera que se deve falar de uma indústria "neo-colonial". Embora ele aceite que eles têm um problema, ele diz: "Isso não ajuda a ver isso de forma conflituosa".

10 centavos

Fernando Morales de La Cruz diz que ele tem uma solução para o problema. Ele propõe que US $ 0,10 adicional seja cobrado por xícara de café.

Esses centavos são transformados em cerca de US $ 12 por quilo de café, o que pode fornecer seguro agrícola, segurança social, pensões, educação, água potável, infra-estrutura básica.

"Com US $ 0,10", ele assegura, "todas as crianças de todas as comunidades rurais de todas as comunidades que produzem café terão garantido que não só haverá escolas, mas também haverá professores, água potável, infra-estrutura básico, e que seus pais terão um salário de custo de vida ".

Isso é viável?

Vélez acha que é uma opção viável, que até mesmo foi mencionada pelo economista norte-americano Jeffrey Sachs durante sua apresentação no Fórum Mundial (embora falou de US $ 0,05 em vez de dez centavos). "Não me surpreende que o consumidor saiba que precisa pagar um pouco mais", disse o gerente geral do FNC à BBC Mundo.

"Mas", ele esclareceu, "seria necessário ter a institucionalidade capaz de colecionar e distribuir". Morales de La Cruz acredita que encontrou a resposta através de uma plataforma digital que ele está montando, o que mostrará de forma transparente o dinheiro que entra e sai.

No entanto, há aqueles que acreditam que esse custo não poderia ser transferido para todos os mercados. Na Europa, há espaço para aumentar o preço final, mas certamente não na China. E, como pensa Morales de la Cruz, muitos consideram que o mundo do café realmente deveria se juntar, pelo menos, todos os grandes jogadores do setor.
Velez acredita que há outra opção para garantir uma renda decente aos agricultores: que os grandes compradores comprometem-se a nunca pagar abaixo do custo de produção.

"Não é fácil, mas não vejo isso inalcançável, porque não estamos falando de preços maiores", disse ele à BBC Mundo.

E por que os quatro países que concentram 70% da produção mundial (Brasil, Vietnã, Colômbia e Indonésia) concordam e estabelecem um preço?

Seria inviável, porque a Organização Mundial do Comércio o viria como um cartel, de acordo com Vélez.

Então, é melhor cobrar consumidores ou um preço garantido por grandes compradores?

Vélez não tem certeza da alternativa. Ele até acredita que pode ser outro, mas ele assegura que alguma solução deve aparecer em breve: "Se não, corremos o risco de que a cadeia atravesse o elo mais fraco (o produtor)".

Tradução: Marco Antônio Porto Pimenta

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

SINCAL encaminha ofício ao USDA sobre previsões de safra



         A SINCAL, através de seu presidente Sr. Armando Mattiello, encaminhou ofício ao USDA - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, questionando sobre a grande divergência de dados nas previsões de safras apresentadas pelo Departamento em comparação aos dados apresentados pela CONAB.

Existem metodologias e instrumentos para elaboração destas previsões e a SINCAL está atenta, tanto nas previsões dos órgãos internacionais, quanto nas “previsões” feitas pelos órgãos e instituições nacionais.

Gostaríamos de contar com a participação de todos os envolvidos no setor produtivo da cafeicultura. Deixe seu comentário abaixo.

SINCAL o cafeicultor é o principal.


Ao
USDA - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
Sr. Tony Halstead

Ref.: Divergências sobre apuração de safra brasileira de café.

Prezado Sr.  Tony Halstead,
Primeiro quero me apresentar, sou Armando Mattiello , Presidente da ASSOCIAÇÃO DOS CAFEICULTORES DO BRASIL – SINCAL.
Ultimamente está havendo uma grande divergência entre os dados do USDA e os dados da CONAB (agencia oficial brasileira) nas informações sobre a expectativa de safra brasileira de café, vejamos:

O Relatório USDA sobre Produção, Mercados e Relatórios Comerciais, foi publicado em de 15 de dezembro de 2017 link:https://apps.fas.usda.gov/psdonline/circulars/coffee.pdf
Os dados da CONAB foram publicados em 21 de dezembro de 2017, a segue o link:http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_12_21_13_05_55_cafe_dezembro.pdf
É evidente a grande diferença entre os dados das duas respeitáveis instituições, na somatória das últimas 2 safras é de 11,38%, ou quase 11 milhões de sacas, temos que reconhecer que não poderia haver uma diferença tão grande.
Eu entendo que vocês são soberanos para divulgar os seus próprios dados, e também poderão dizer que o erro de expectativa de safra é feito pela CONAB.
No entanto, ao desconsiderar as expectativas ou previsões para calcular a produção real usando os dados SAFRA DERIVADA em 2016/17, podemos ver como os dados do USDA são irreais, conforme observado abaixo:


A Safra Brasileira de café em 2016/17 foi de 49.724.561 sacas de café, isto não é expectativa ou previsão, é o resultado real colhido da safra brasileira no ano de 2016.

Baseado nestes dados, podemos afirmar que a CONAB se aproximou mais da realidade que o USDA.


Enquanto a CONAB fez uma previsão com um erro de 1,645 milhões de sacas, aproximadamente 3,31 % maior que a realidade, quando comparamos os dados do USDA, temos uma previsão superestimada de 6,376 milhões de sacas com uma taxa de erro 12,82% maior.
Para corroborar esta afirmação de superestimativa de safra pelo USDA, notar que a expectativa informada para a safra 2016/17 de 56,10 milhões de sacas projetada pelo USDA é uma das maiores safras da história do Brasil, mas assistimos uma menor exportação de café do Brasil, mesmo tendo o Governo Brasileiro vendido todo o seu estoque de café entre Setembro de 2016 à Abril de 2017, que era aproximadamente 1,6 milhões de sacas, hoje os estoques governamentais brasileiros é ZERO.
Vejam que a os estoques em 31 de Março de 2017 eram de 10.121.405 sacas, e no período de abril até junho de 2017 foram usados entre as exportações e consumo interno aproximadamente 12.281.223 sacas.

Como se demonstra acima, o uso de café foi maior que os estoques, apresentando em Junho de 2017 estoques negativos, entretanto temos duas explicações para este fato :
1) o uso de cafés da safra 2017/18, recém colhidos, pois a colheita de conilon em algumas regiões se inicia em ABRIL, e a colheita de arábicos se inicia em MAIO.
2) cafés remanescentes que não foram computados na contagem de estoque.
Considerando ambas as hipóteses, sabemos que o Brasil iniciou a safra de 2017/18 sem estoques privados de café, e não há estoques públicos, os estoques governamentais é ZERO.
Analisando as exportações brasileiras de Julho até Novembro, período em que há a maior disponibilidade de café no Brasil devido a ser SAFRA e necessidade dos cafeicultores em vender café para pagar colheita e insumos, nota-se que durante o ano de 2017 houve uma queda brusca de exportações, menos 14,60%, com as menores exportações nos últimos 5 anos, veja a tabela abaixo do CECAFÉ:
Gostaríamos de informá-lo que, em dezembro, a SINCAL recolheu informações junto a produtores, cooperativas e armazéns em todas as regiões cafeeiras brasileiras e os níveis atuais de estoques de café no Brasil são muito baixos.
Isso resultará em uma quantidade muito menor de exportação no primeiro semestre de 2018.
Assim, devido à necessidade de os dados relatados serem transparentes, a SINCAL solicita respeitosamente USDA para informar e disseminar a metodologia para chegar aos dados publicados nas previsões de colheita do Brasil.
A safra 2018/19 começará no primeiro semestre de 2018, e esperamos que o USDA faça uma previsão realista da produção brasileira, pois as previsões pouco realistas trazem prejuízos a todos.
A disseminação de dados irreais e superestimados tem levado os produtores mundiais de café a vender os frutos de seu trabalho a preços aviltados, com perdas de receita de exportação de mais de 5 bilhões de dólares, levando milhões de agricultores a permanecerem para sempre na pobreza.
Lembramos que os cafés produzidos por estes produtores ajudam as nações importadoras de café a gerarem anualmente dezenas de bilhões de dólares em valor agregado, lucros e impostos.
A SINCAL está à disposição do USDA para mais informações e colaborações.
Cordialmente,

Armando Mattiello
ASSOCIAÇÃO DOS CAFEICULTORES DO BRASIL – SINCAL.
05 de Janeiro de 2018



English version


To

USDA​ ​-​ ​US​ ​Department​ ​of​ ​Agriculture
Mr.​ ​Tony​ ​Halstead

Ref.:​ ​Divergences​ ​on​ ​the​ ​Brazilian​ ​coffee​ ​harvest.
Dear Mr. Tony,
Firstly I would like to introduce myself. My name is Armando Mattiello, and I am the President of the ASSOCIAÇÃO DOS CAFEICULTORES DO BRASIL - SINCAL.
Recently a divergence between the USDA data and the data from CONAB (Brazilian oficial agency) could be noticed when regarding the information on the Brazilian coffee harvest expectation, as seen below:


The USDA Report on Production, Markets and Trade Reports, was published on December 15, 2017 link: https://apps.fas.usda.gov/psdonline/circulars/coffee.pdf

The CONAB data were published on December 21, 2017, the following link: http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_12_21_13_05_55_cafe_de Dezembro.pdf
It is very evident that there is a great difference between the two respectable institutions, as the sum of the 2 harvests is written down as to being 11.38%, and we have to recognize that there could not be such a big difference.
I understand that you are sovereign and have the right to disseminate your own data, and can also assume that the mistake in the expectation of harvest was made by CONAB.
However, when disregarding the expectations or forecasts to calculate the actual production using the DERIVED SAFRA data in 2016/17, we can see how the USDA data is unreal, as seen below:

The Brazilian coffee harvest in 2016/17 was 49,724,561​ bags of coffee, which is not expected or forecast, and is the actual result from the Brazilian harvest of 2016.
Based on these data, we can say that CONAB has closer to reality than the USDA.


CONAB made a prediction with an error of 1.645 million bags, approximately 3.31% greater than reality.
When we compare this to the USDA data, we have an overestimated forecast of 6.376 million bags with a 12.82% bigger harvest.
To corroborate this USDA overvaluation claim, note that the reported expectation for USDA’s projected 56.10 million sacks of the 2016/17 crop is one of the biggest harvests in Brazilian history.
However, we have seen Brazil sell all its stocks of about 1.6 million bags between September 2016 and April 2017.
It can be seen that the inventories on March 31, 2017 were 10,121,405 bags, and in the period from April to June 2017, approximately 12,281,223 bags were used in exports and domestic  consumption.


As shown above, the use of coffee was higher than what was held in inventory, presenting negative inventories in June 2017. For this there are two possible explanations.
i) the use of newly harvested coffees from the 2017/18 harvest, since the conilon harvest in some regions starts in APRIL, and the Arabica harvest begins later in MAY.
ii) remaining coffees that were not counted in the stock count.
Considering both hypothesis, we know that Brazil started the harvest of 2017/18 without private stocks of coffee, and there are no public stocks, as previously established.
Analyzing Brazilian exports from July to November, the period in which there is a greater availability of coffee in Brazil due to the harvesting period, it is noted that during the year of 2017 there was a sharp fall in exports, of about 14.60% less, resulting in the lowest exportations in the last 5 years, as seen in the table below from CECAFÉ.

We would like to inform you that in December, SINCAL collected information from producers, cooperatives, and warehouses in all Brazilian coffee regions, and the current levels of coffee stocks in Brazil are very low.
This will result in a much smaller amount of exportation in the first half of 2018.
Thus, due to the need for the reported data to be transparent, SINCAL respectfully requests USDA to inform and and disseminate the methodology for arriving at published data on Brazil’s harvest forecasts.
The 2018/19 harvest will begin in the first half of 2018, and we expect the USDA to make a realistic forecast of Brazilian production, as unrealistic forecasts are disadvantageous for everyone.
The spread of overestived data has led the world coffee producers to sell the fruits of their labor at discounted prices, leading to export revenue losses of more than 5 billion dollars, leading millions of farmers to remain forever in poverty.
This even if the coffee they produce helps coffee importing nations generate yearly tens of billions of dollars in profits, added value and taxes.
SINCAL is available to the USDA for more information and collaboration,
Sincerely,

Armando Mattiello
ASSOCIAÇÃO DOS CAFEICULTORES DO BRASIL – SINCAL
January 05, 2018

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Fazendeiro reclama de perseguição do Ministério do Trabalho e corta 450 mil pés de café


Foto: Dr. Wanderlino foi o introdutor da cafeicultura no sul da Bahia. Hoje, queixa-se de perseguição do Ministério do Trabalho.

“Homem do Café’ e ‘agora’ também do açaí, reclama de perseguição do Ministério do Trabalho, anuncia o corte de 450 mil pés de café e fala da Ceplac, UESC e das horarias recebidas. “Esses cerca de 800 empregos desses trabalhadores que eu dispensei, o juiz do Ministério do Trabalho que arrume outro emprego para eles”.

Muito antes do açaí virar febre no mundo todo, um visionário resolveu introduzir a fruta numa região inimaginável para a maioria dos produtores. Ainda na década de 90, este mesmo homem já havia vislumbrado uma outra grande oportunidade: plantar café nas terras férteis e chuvosas do sul da Bahia. Ambas iniciativas deram certo, mas, neste exato momento, um desses ciclos ‘morre’, enquanto o outro.

Esse visionário, natural do Espírito Santo, ícone do café conilon capixabense e introdutor da cafeicultura na região ‘cacaueira’, está encerrando uma tradição mantida desde 1836, quando sua família de ascendência Portuguesa e Suíça, começou a cultivar café. “Fui incentivador do plantio do café no sul da Bahia. Estou interrompendo essa tradição familiar este ano, pois não posso mantê-la com prejuízo”, conta aos 76 anos, o doutor Wanderlino Medeiros Bastos, Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, famoso criador da muda clonal do café, ex-presidente da Cooabriel – a maior cooperativa de Café Conilon do Brasil, e que reside na região há 22 anos.
A ‘derrubada’ noticiada pelo produtor, mais que um prejuízo empresarial, é um dano socioeconômico incalculável para a economia regional. Em tempos de crise e de clamor pelo desenvolvimento e geração de renda, o renomado produtor decidiu cortar os 450 mil pés de café que possui na sua propriedade, no KM 564 às margens da BR 101, no município de Arataca. Esse corte atinge também e com maior gravidade, centenas de empregos que eram gerados pela cafeicultura.

“Sempre cumpri com todas as leis trabalhistas. Recentemente paguei uma multa do Ministério do Trabalho de R$ 650 mil. Eles chegaram aqui armados com a Polícia Federal. Meu filho foi recebê-los e cumprimentá-los. Eles colocaram as armas em cima dele. Intimam direto. Eles chegam ao ponto de inventar questionamentos na hora. Meu advogado chega lá e eles não sabem nem o que vão perguntar. Inventam questionamentos na hora, para pedir. A minha culpa é gerar emprego demais. Eles dizem: ‘Ele tem muito trabalhador, não tem como não ter erro’. Mas, meu erro é ser correto e pagar tudo em dias. Eles vão aumentar a perseguição (depois dessa matéria), mas, mais do que perseguem, não é possível”.

“Cortei esse café todo, porque, em parte, só sobrevive aqui quem não tem empregado com carteira assinada. Quem tem 20 ou 30 funcionários, ninguém perturba. Eles pensam que quem planta café é rico. Se você vender uma safra e colocar o dinheiro do banco, quando chegar na outra colheita, você não tem mais nada, por causa dos autos custos da lavoura. Mas eles comparam: uma saca de café custa R$ 350,00. Um saco de milho não chega a R$ 35,00. Então quem planta café é rico”.

O maior produtor de café da região, queixa-se das ações e da ‘petulância’ do Ministério do Trabalho. “No nosso pais, não existe segurança pública. Existe segurança dos poderes, sejam do Judiciário ou do executivo. Ficam com quatro ou cinco policiais armados e se acham os todo-poderosos. Dizem com todas as palavras que não atendem ao público. Juízes e promotores acham que são mais do que um agricultor!”, desabafa Wanderlino, num claro tom de revolta.

Dr. Wanderlino chegou a manter, até pouco tempo, cerca de 800 trabalhadores em sua propriedade. A grande maioria, na colheita do café. “Nunca tive nenhum problema, sempre mantive tudo em dias, todos os direitos”. Hoje o quadro de funcionários nas atuais atividades da fazenda, gira em torno de 50. “Estou derrubando todos os meus pés de café. Tem muitos pés de café com frutos, porque não deu tempo derrubar tudo, mas não vamos colher nenhum. Os empregos desses trabalhadores que eu dispensei, o juiz do Ministério do Trabalho que arrume outro emprego para eles”, diz.

“Agora que criaram uma lei obrigando assinar carteira de empregada doméstica. Ela mesma (Wanderlino chama a empregada Jeane, que acompanha essa entrevista para confirmar), trabalha aqui há 5 anos e todos sempre tiveram a carteira assinada. Me sinto um injustiçado, só porque tenho muitos trabalhadores”, analisa. “Aqui eu me sinto perseguido pelo Ministério do Trabalho”, afirma.


Fonte: Folha do Cacau
24/12/2017 - 13:30:49

domingo, 24 de dezembro de 2017

Entrevista com Armando Mattiello no programa A Voz do Produtor Rural - Rádio Guaranésia em 24/12/18




Assista entrevista com o Presidente da SINCAL, Armando Mattiello, ao programa A voz do Produtor Rural da Rádio Guaranésia, com a apresentação do radialista Jota Bueno.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Considerações sobre as exportações brasileiras de café em NOVEMBRO de 2017.



As exportações de café do Brasil em Novembro de 2017, somaram 2.785.853   sacas, portanto, inferiores em 491.253 sacas ou menos 15% referente a Novembro de 2016, que foi 3.277.106 sacas.

No período de Julho a Novembro de 2017, o acumulado em 2017 foi de 12.572.397 sacas, inferior a 14,60% ao mesmo período do ano de 2016, que foi de 14.718.603 sacas.

Até o dia 12 de Dezembro, a emissão de certificados está em 820.333 sacas, indicando uma projeção de emissão total no mês de Dezembro de 2017 em aproximadamente 2.18 milhões de sacas, quando em Dezembro de 2016 foi de 3.262.022 sacas.
Assim sendo, os 6 meses iniciais de safra brasileira, isto é JULHO a DEZEMBRO de 2017, projeta exportações de 14.745.303 sacas, menor em aproximadamente 18% que o mesmo período do ano anterior, que foi 17.980.625 sacas.

Desta forma, se torna factível que as exportações de café do Brasil alcancem somente 27/28 milhões de sacas no ano safra de 2017/2018.

A Safra Derivada de 2016/2017 apurou uma produção total de 49.724.561 sacas, porém a OIC insiste em divulgar que o Brasil colheu 55 milhões de sacas, e nossas autoridades do MAPA não tomam nenhuma providência para que este grave erro seja sanado.

Dado a safra menor em 2017/2018 devido a bienalidade, nota-se que atualmente os estoques físicos de café no Brasil são muito menores que no mesmo período do ano passado, e deveremos chegar em Julho de 2018 com estoques próximos a zero.

O melhor indicador para projetarmos a safra de 2018/2019 é a real safra de 2016/17, que foi de 49,72 milhões de sacas, pois ambas são de ciclo alto nos arábicos, devendo-se corrigir o Conilon devido a alguma recuperação de produção, então é doloso divulgar safras de 60 milhões de sacas.

Diante do exposto, é de suma importância que a CONAB faça um excelente levantamento de estoques em Março de 2018, pois a partir destes poderemos saber a produção real de 2017/2018.

É necessário dados confiáveis, pois é preciso desmitificar estas superproduções que organismos internacionais e agências de notícias divulgam sobre as safras brasileiras.

Os prejudicados pela falta de seriedade na apuração e divulgação de dados são os cafeicultores brasileiros e mundiais, que vendem o fruto de seu trabalho a preços aviltados, fazendo um ciclo vicioso de pobreza.

Safra derivada são obtidos de levantamentos de estoques de café do ano anterior (2016), o uso de café total (exportações + consumo interno) nos 12 meses (Abril/2016 a Março/2017), importações de café no mesmo período, e estoques finais de café do ano atual (2017).

Assim sendo, no período de 12 meses, temos os dados abaixo:

Estoque do Brasil em 31 de março de 2016 = 15.078.997 sacas, fonte CONAB
Estoque do Brasil em 31 de março de 2017 = 10.121.405 sacas, fonte CONAB
Exportações Brasileiras Abril/16 a Março/17       = 33.488.053 sacas, fonte CECAFÉ
Consumo interno Abril/16 até Março/17        = 21.200.000 sacas, fonte ABIC
Importações de café Abril/16 até Março/17   = 5.900 sacas, fonte MDIC/Secex

Desta forma temos que, para um uso total de 54.688.053, que é a soma das Exportações + Consumo interno, houve uma diminuição dos estoques de 4.957.592 sacas e uma importação de 5.900 sacas.

Matematicamente, conclui-se que a Produção Brasileira de Café na safra 2016/17 foi de 49.724.561 sacas.

Para a safra de 2017/2018, deveremos aguardar o levantamento de estoques em 31 de Março de 2018, e respectivos consumos, exportações e importações no período de Abril de 2017 até Março de 2018.

Atenciosamente,

Marco Antônio Jacob

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Como aumentar o preço do Café

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Senhores vejam a modernidade que está implantada nas bolsas e grandes oligopólios de café que comandam o mercado. Os fatores fundamentais como produção, secas, geadas etc... são desconsiderados pela Inteligência Artificial que agrupam informações, aglutinam em gráficos e direcionam o mercado visando maiores lucros aos Oligopólios e aos investidores que ficam munidos de informações para as decisões.

A Inteligência Artificial está sendo dirigida por verdadeiros gênios com a utilização de algoritmos levando-os a uma logística perfeita. Muitas vezes utilizando factoides para sobressair da verdade e aumentando a manipulação dos preços. Atualmente, somos explorados ao máximo e nossas lideranças e o setor governamental estão cegos, ignorantes e antipatriotas. São adeptos ao mercado livre que foi preconizado após a queda do Muro de Berlim. Os Estados Unidos da América do Norte introduziram o mercado livre via Mundialização ou Globalização e, ganharam muito dinheiro. Atualmente estão fazendo o caminho ao contrário. Vejam as ações do presidente Trump com relação a proteção e barreiras contra os chineses e outros.

Na entrevista da CEO da IBM, mostra como esse sistema está expandindo e já está modernizando o nome para Inteligência Cognitiva. Acredita se, por análise de especialistas, que o investimento na Inteligência Artificial/Cognitiva chega-se a casa de centenas de bilhões de dólares. Enquanto isso estamos ao ritmo do carro de boi apregoando o mercado livre e sem regras provocando miserabilidade aos cafeicultores, trabalhadores rurais e a todos os elos o Agronegócio Café. Há especialistas nas Universidades, como UFLA, entre outros que estão adentramos dessas tecnologias e aptos a nos ensinar.

A SINCAL está enxergando uma saída e estamos trabalhando com a intenção de elaborarmos um PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO a longo prazo para minimizarmos essas sistemática e colocarmos a cafeicultura para produzir riqueza e não miserabilidade.


Armando Mattiello

Presidente da SINCAL









quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Agricultura 4.0 avança e traz ganhos a produtor

agricultura (Foto: Thinkstock)


02/11/2017 - 10H50 - POR ESTADÃO CONTEÚDO

Drones, aplicativos, novos sensores e inteligência artificial invadem o campo. Cerca de 45% das empresas do setor já usam técnicas com inovações digitais.


O movimento trazido pelas inovações digitais - como internet das coisas, inteligência artificial e outras -, que permitiram um grande salto na produtividade com a criação da indústria 4.0, está se repetindo no campo. A agricultura 4.0 tem conseguido ganhos no agronegócio, da pré-produção até fora da porteira das fazendas. "As tecnologias digitais têm levado a agricultura de precisão a um novo patamar", diz Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária.

"Cerca de 45% das empresas da área já usam alguma das novas técnicas, mas há grandes desafios à frente, seja por conta do custo alto dessas tecnologias, pela falta de conexão com a internet nas propriedades agrícolas ou pela baixa qualificação de mão de obra. "Assim, satélites e drones colhem informações das condições da agricultura, do solo e das condições meteorológicas e repassam em tempo real para produtores e pesquisadores.

Sensores instalados nas plantações começam a guiar tratores e colheitadeiras automatizados, reduzindo custos e melhorando a eficiência das safras. E diversos tipos de aplicativos têm ajudado agricultores e pecuaristas a terem na palma da mão opções para entenderem melhor suas propriedades, suas culturas e criações. Bem como auxiliar pesquisadores, além de formuladores de políticas públicas e bancos a mensurar prováveis riscos para fornecer subsídios e empréstimos.

Quer um exemplo?

Os exemplos práticos vêm de várias áreas. Há aplicativos que avisam ao produtor de leite quando está na época de colocar uma vaca para ser emprenhada ou quando um bezerro deve ser desmamado. Outro, agrega informações de 1.600 estações meteorológicas do país e depois de processar os dados produz modelos e estudos para várias culturas, indicando a melhor época de plantio para cada lugar. As previsões são atualizadas diariamente, bem como os índices de seca, as probabilidades de geada e outros fenômenos climáticos e a quantidade de água no solo. Um software permite ainda reconhecer, por meio de fotos, pragas que podem estar assolando as colheitas e indicar tratamentos.

Em outra frente de trabalho, foi adaptado um modelo de simulação de plantio de arroz, o Oryza 2000, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Arroz, das Filipinas, com os dados nacionais. Além das condições de solo e dos tipos de sementes usados no Brasil, foram colocados no sistema dados climáticos dos últimos 30 anos, de 51 estações meteorológicas ligadas às principais regiões produtoras do País. "A decisão que o agricultor tomava até algum tempo atrás com base em sua experiência e na tentativa e erro pode ser feita agora com rigor científico e analítico", afirma Alexandre Bryan Heinemann, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão. Como os modelos desse projeto são mais sofisticados, essa ferramenta é usada sobretudo por pesquisadores e para auxiliar na tomada de decisões de políticas públicas para o setor.

Atuação

Há tantas possibilidades e demandas - seja do Ministério da Agricultura, de diferentes órgão públicos, de pesquisadores, de produtores e associações e empresas de tecnologia - que a Embrapa tem ganhado novas formas de atuação. Se antes, dedicava-se sobretudo à pesquisa e desenvolvimento, hoje, também tem funcionado como uma facilitadora: faz a ponte entre empresas, startups de tecnologia e investidores. "Unimos várias pontas e trabalhamos sobretudo com inovação aberta, onde consórcios de pesquisa desenvolvem projetos de interesse comum até determinado ponto e os parceiros usam partes em seu modelo de negócios, reduzindo custos e melhorando a eficiência", afirma Silvia.

É uma corrida contra o tempo, que todos os países fortes no agronegócio disputam. Só que, enquanto EUA e Europa têm ecossistemas mais bem articulados, aqui a pesquisa ainda sofre por falta de estrutura. O Oryza 2000, por exemplo, foi considerado projeto de big data na Embrapa Arroz e Feijão. "Tínhamos de rodar 24 modelos para cada dia do ano. Eram milhões de simulações que nossos servidores não eram capazes de fazer", afirma Heinemann.