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Apresentação do presidente da SINCAL, Sr. Armando Mattiello, na Audiência Pública “Cenário da Política pública Brasileira para o Café”.

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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Acompanhe entrevista do Presidente da SINCAL, Sr. Armando Mattiello à Revista PROCAMPO


Armando Mattiello – Presidente da Sincal


Foto: Divulgação
Armando Mattiello é engenheiro agrônomo, fundador e presidente da Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal) que tem como objetivo defender os interesses dos cafeicultores do país. Ele afirma que o preço mínimo do café estipulado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não leva em consideração os custos fixos, com isso o valor está defasado em pelo menos 30%, tanto para o arábica, quanto para o conilon. Mattiello também é cafeicultor, sócio fundador e atual diretor do Sindicato dos Produtores Rurais do município mineiro de Guapé, MBA em Agribusiness na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e possui mais de 120 trabalhos de pesquisas publicados e apresentados em congressos de café, nematologia, fitopatologia e entomologia. Assuntos pertinentes ao setor como panorama, especulações, futuro da cafeicultura e a atual crise dos preços foram os principais temas dos questionamentos desta entrevista. Leia e fique bem informado.

Procampo – O que é e qual o objetivo da Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal)?

Armando Mattiello – A Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal) é uma entidade, sem fins lucrativos, apartidária e democrática com abrangência nacional (a única com essa característica) e tem como objetivo defender os interesses dos cafeicultores do Brasil, tanto os produtores de arábica, como os produtores de conilon. A diretoria é composta por diversos especialistas do setor e representantes de praticamente todos os Estados brasileiros (produtores de café). Defendemos junto ao setor governamental políticas de interesse da classe.

Procampo – O que vem ocasionando preços tão baixos para o café? Na história recente, essa é a pior crise do setor?

Armando Mattiello – O que ocasiona os baixos preços do café não são os estoques e muito menos a produção do Brasil, como muitos alegam. O principal fator é a especulação, principalmente, na bolsa de Nova York pelos grandes oligopólios/multinacionais, que atualmente estão centralizados em 5 ou 6 grandes compradores manipulando a bolsa através dos algoritmos e não levando mais em consideração os fatores fundamentais como: seca, geada, estoques baixos, bienalidade, entre outros. Essas grandes multinacionais estão amparadas em verdadeiros gênios da informática para manipularem as bolsas. Considero a pior crise do setor, pois, as lideranças, o governo e os cafeicultores não se deram conta que deveremos sair das bases de preços de Nova York e de Londres (para o conilon) e partirmos para uma sistemática organizada em termos dos países produtores. A Sincal esteve na semana passada em Brasília, participando em diversas frentes de trabalho como: Frente Parlamentar do Café, Ministério da Economia, Ministério da Agricultura, Itamaraty e falamos com o vice-presidente da republica, general Hamilton Mourão, juntamente com o deputado federal general Peternelli, o qual nos deram total apoio. O general Mourão ficou sensibilizado com a situação crítica dos 300 mil cafeicultores, 2 milhões de trabalhadores rurais e da sociedade em geral dos 1.700 municípios produtores. Para a solução dessa situação caótica da cafeicultura, dentre os diversos pontos, estamos criando a Organização dos Países Produtores de Café (OCAFÉ), cujo objetivo é acertarmos uma política cafeeira de maneira democrática entre os países que venham trazer um preço mínimo de exportação que cubra os custos de produção e remunere os 3 milhões de cafeicultores e as 25 milhões de famílias envolvidas com a cafeicultura mundial. Em muitos países as pessoas estão explorando mão de obra infantil e ainda dormindo com fome. Como pode uma situação dessas, em pleno século XXI, tratando-se de um produto que trás um faturamento mundial para os comerciantes de 250 bilhões de dólares e os países produtores ficando somente com 8 a 10% desse valor? A agenda 2030, cujo Brasil é signatário entre praticamente todos os países do mundo cuja finalidade é erradicar a pobreza até 2030. Não há dúvida que a OCAFÉ será um fator preponderante para eliminarmos ou mitigarmos essa pobreza nesse contingente enorme de cafeicultores e trabalhadores envolvidos.

Procampo – Alguns analistas de mercado e corretores afirmam que os preços do café continuarão caindo pelo menos até 2021. Qual sua opinião?

Armando Mattiello – Essas informações não passam de fake news. Um dos fatores que o mercado mais utiliza para derrubar os preços são as mentiras e dados falsos. Logicamente, ficam com esses factoides para interferir diretamente nas bolsas e continuar fazendo do café lucros exorbitantes. Podemos traçar para o café uma analogia baseado no filme Diamante Blood. Para o setor estamos usando o termo Café Blood. A solução para tal em primeiro plano é a criação da OCAFÉ.

Procampo – O que o Sr. acha dos atuais preços mínimos do café, que não cobrem sequer os custos de produção. Uma política pública que devemos reivindicar ou os cafeicultores devem cruzar os braços?

Armando Mattiello – O preço mínimo de café estipulado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é um crime. Eles não levam em consideração os custos fixos para basear o preço mínimo, somente os custos variáveis. Com isso, o preço mínimo está defasado em pelo menos 30% tanto para o arábica, quanto para o conilon. Os preços mínimos reais calculados por diversas entidades deveriam ser de R$ 505,00 (para o arábica) e R$ 340,00 (para o conilon). O Mapa estabeleceu como preço mínimo R$ 362,00 (para o arábica) e R$ 210,00 (para o conilon). Isso é prevaricação, que é crime e deveriam respeitar o artigo 187 da constituição e do estatuto da terra (Lei 4504, Art. 73 e 85). Na audiência da Frente Parlamentar de Café do dia 07/05/2019, o próprio presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sr. Newton Araújo Silva Junior, confirmou em público, de forma cristalina, que a Conab fixa o preço mínimo, baseado somente em custos variáveis. O cafeicultor está desinformado e desconhece todas as argumentações que acabei de descrever. Na realidade, no mercado, algumas cooperativas e o governo, sequestraram o conhecimento dos cafeicultores.

Procampo – O que o governo federal pode fazer para minimizar esta situação?
Armando Mattiello – Primeiramente, o governo federal tem que seguir a lei, tanto o que está na Constituição, como o que está no Estatuto da Terra. No momento, o governo tem que corrigir urgentemente o preço mínimo e apoiar incondicionalmente, a criação da OCAFÉ com os principais países produtores que, muitos dos quais estão adentrados e totalmente dispostos a adesão à Organização dos Países Produtores de Café.

Procampo – Qual foi a importância da Associação dos Países Produtores de Café (APPC) no mercado?

Armando Mattiello – Nós estamos denominando OCAFÉ ao invés de APPC, que praticamente foi extinta. Para a criação da OCAFÉ, onde expomos e tivemos uma posição de apoio do general Hamilton Mourão, que analisou o aspecto econômico e também enxergou um horizonte geopolítico, sendo o Brasil o protagonista da criação da OCAFÉ. Os objetivos são:

1) Preço mínimo para exportação democraticamente estipulados juntamente com os demais países produtores;
2) Fazer um marketing intensivo a nível mundial para aumentar o consumo de café, pois somente 25% das pessoas do mundo tomam café. Portanto, temos um grande mercado pela frente a ser conquistado aumentando a demanda via ações de marketing. Esse é um tema que merece uma abordagem a parte dessa entrevista. O marketing será a solução para o aumento de consumo de maneira vertiginosa. É inconcebível somente 25% das pessoas tomarem café a nível mundial. A Associação dos Cafeicultores do Brasil, já tem fundamentado um plano de marketing que deveremos fazer com outros países para aumento do consumo;
3) Caso tenhamos uma sobreoferta, enquanto não ocorrer o ajustamento estruturado via marketing cada país ficará responsável em criar um estoque estratégico entre 5-10%;
4) Uma logística inteligente, como o acima exposto, para não ocorrer super produções.

Procampo – O que o senhor pensa sobre o papel do Conselho Nacional do Café (CNC) hoje? Ela está cumprindo seu escopo de lutar pelo bem estar do cafeicultor?

Armando Mattiello – O CNC não representa os cafeicultores. A própria entidade se caracteriza como representante das cooperativas (principalmente das maiores cooperativas de café do Brasil). O Estatuto do CNC, nas suas 2 primeiras páginas, define as obrigações desse conselho perante os cafeicultores propriamente ditos mas, lamentavelmente, nada do que está especificado está sendo cumprido. Essas obrigações deixaram de ser cumpridas há anos e os cafeicultores tornaram-se reféns do próprio CNC. A composição do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) está incluso o CNC entre diversas entidades que compõe o citado conselho e que não cumpre com suas obrigações perante o setor produtivo. Cito como exemplo, a distribuição das verbas do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Verba essa, originária de um fundo que foi adquirido nas exportações de café e descontado dos cafeicultores um determinado valor por saca de café que originou o Funcafé e que hoje, está servindo a outros seguimentos do agronegócio café como: ABIC, ABICS, exportadores, cooperativas entre outros e ao final uma pequena parcela chega ao cafeicultor. Além disso, quando pegamos a relação dos agentes financeiros que recebem verbas do Funcafé é nítido e claro que são entidades financeiras, na sua grande maioria, bancos de asfalto que não estão presentes nas regiões cafeeiras. Citamos alguns exemplos como: Banco Votorantim, Banco do Japão, Banco da China, Banco Fibra, Banco ABC, Banco Amro, Banco Original (da JBS), entre outros que o cafeicultor nem conhece e logicamente, essas verbas designadas a esses bancos são utilizadas, como exemplo pela indústria. A Indústria tem faturamento diário por hora e por minuto. Pergunto: Por que as indústrias que estão ganhando “rios” de dinheiro com esses preços baixos do café, utilizam do Funcafé? No meu entendimento sempre essas verbas são utilizadas para outros fins distante da produção. A representação do CNC nos organismos e reuniões internacionais é inócua ao setor produtivo. Nós, da Associação dos Cafeicultores do Brasil, julgamos que somos os representantes de fato dos cafeicultores. O CNC como cuida das cooperativas, que fique como representante delas e a Associação dos Cafeicultores do Brasil, representando os cafeicultores. Mesmo porque a associação tem uma diretoria composta por cafeicultores, porém, com formações profissionais das mais distintas e intelectualizadas tais como: engenheiros agrônomos, professores universitários, advogados, economistas com pós–graduação na Europa, profissional de marketing com curso na Alemanha e na Escola Superior de Propaganda e Marketing, muitos dos quais são poliglotas. Nada melhor do que pessoas preparadas tanto do lado produtivo como do lado cultural para defender os cafeicultores. A entidade é democrática, apartidária, sem fins lucrativos e, com espaço para todos, tanto homens, como mulheres que compõem a nossa diretoria.

Procampo – A criação da OCAFÉ, não poderia resultar em um boom mundial de plantio de novas lavouras de café, uma vez que os preços estariam “protegidos”, aumentando ainda mais a oferta?

Armando Mattiello – A criação da OCAFÉ será a salvação humanitária e econômica para os países produtores, os quais estamos em contato como fizemos na reunião da Organização Internacional do Café (OIC), no México, em maio de 2018, onde nos reunimos com 26 países de praticamente todos os continentes, mas, principalmente os da America Central e do Sul. A adesão a organização OCAFÉ foi unanime. No dia 08 de maio de 2019, apresentamos ao vice-presidente da república, general Hamilton Mourão, um documento e detalhamos os pormenores e o mesmo considerou uma estratégia importantíssima e nos orientou os passos para a criação da entidade. A preocupação com o aumento de plantio de café em detrimento dos melhores preços que se faz necessário, para mitigar a situação da pobreza a nível mundial, de acordo com a agenda 2030, que foi acertado com praticamente todos os países e o Brasil é um dos signatários. Além disso, estamos vivendo quase que cotidianamente a situação das correntes humanas dos países da America Central, que dependem do café, indo em direção aos Estados Unidos. Problema sério, provocado pela pobreza implantada nas regiões produtoras de café. Acrescentamos ainda, que a pobreza leva ao discurso dos pseudo-socialistas nesses países implantando situações como estamos vendo na Venezuela. Todos esses aspectos foram amplamente discutidos com general Mourão.

Portanto, teremos um preço mínimo médio e, democraticamente, acertado entre os países. Não me preocupo com o aumento de plantio. Essa retórica de superprodução, já está viciada e mofada. Logicamente, melhores preços, maiores plantios, mais empregos e menor pobreza. O mundo está consumindo uma miséria de café. Cito 3 polos consumidores: Comunidade Europeia (consome 45 milhões de sacas de café), Estados Unidos (consome 25/26 milhões de sacas de café) e Brasil (consome 22/23 milhões de sacas de café). Na somatória dos 3 polos citados, consome-se por volta de 94 milhões de sacas, com uma população de 1,1 bilhões de pessoas, dando um consumo per capita/ano de aproximadamente 5,15 kg de café. Com uma população mundial de 7,6 bilhões de habitantes, poderíamos chegar num potencial total de uma ordem de grandeza de 650 milhões de sacas de café. Atualmente, o mundo consome somente 165 milhões de sacas que corresponde na ordem de 25% de consumidores. Cabe conquistarmos os outros 75% da população mundial. Lógico, que não chegaremos a esse consumo de imediato, mas, com uma ação estratégica e inteligente em marketing a nível mundial o consumo aumentará vertiginosamente. Há décadas que não fazemos nada para aumentar a demanda de café. A OCAFÉ poderá com uma estratégia de preço condizente e lucrativo aos produtores, destinar uma pequena parcela da exportação de todos os países que ao final dará um montante de recursos suficientes para o marketing em todos os cantos do mundo, inclusive, em muitos países produtores que não tomam café. Finalizando, o segredo está no marketing para o aumento do consumo e não no medo de superproduções, que serão bem vindas.

Entrevista publicada na 79ª edição da Revista Procampo (Mai/Jun 2019)
https://www.revistaprocampo.com.br/

segunda-feira, 10 de junho de 2019

DIREITO DO PRODUTOR À RESTITUIÇÃO DE VALORES COBRADOS ILEGALMENTE



Resultado de imagem para CIFRÃO


A SINCAL, através de parceria com os advogados Caio de Moura Lacerda dos Santos, Fabio Moleiro Franci e Ricardo Rissieri Nakashima, está orientando os produtores rurais que efetuaram pagamentos de Cédulas de Crédito Rural no início do ano de 1990, para conferir se tem direito ou não a restituição de valores.


Caso o produtor tenha interesse, enviar e-mail para contatosincal@gmail.com ou contato@sincal.org.br  



CÉDULAS DE CRÉDITO RURAL E O PLANO COLLOR I – DIREITO DO PRODUTOR À RESTITUIÇÃO DE VALORES COBRADOS ILEGALMENTE PELO BANDO CO BRASIL, QUAL A SITUAÇÃO DA AÇÃO?

Origem da Discussão

No mês de março de 1990, o Governo Federal, por meio do Banco Central do Brasil, alterou os índices de correção da poupança, na esteira do Plano Collor I, passando a remuneração a ocorrer por índice menor do que aquele anteriormente praticado.
No caso dos Produtores, praticamente todos os contratos de Crédito Rural eram corrigidos pelo índice da poupança, ou seja, não se seguia um índice de inflação específico, mas sim a remuneração da poupança.
Nessa oportunidade, o Banco do Brasil aplicou os índices previstos pela norma anterior, gerando prejuízo direto aos produtores, o índice correto era de 41,28% de reajuste e o aplicado foi de 84,32%, ou seja, mais que o dobro do correto, fazendo com que muitos produtores, no momento da renovação de seus créditos ou de seu vencimento tivesse que arcar com mais de 2 vezes o valor previsto no contrato.
No intuito de reverter o abuso, o Ministério Público Federal ingressou, no ano de 1994, com Ação Civil Pública (ACP) de número 94.0008514-1 perante a Justiça Federal do DF, em 1997 a ACP de maneira procedente, uma grande vitória para os Produtores, abaixo transcrevemos o dispositivo da sentença:

“Ante o exposto, julgo procedente o pedido para reduzir, nos contratos de financiamento rural e, basicamente, nas cédulas de crédito rural, realizados antes de abril de 1990, o percentual de 84,32% para 41,28% (quarenta e um vírgula vinte e oito por cento), e condenar o Banco do Brasil S/A a proceder ao recálculo dos respectivos débitos na forma acima explicitada, bem como devolver aos mutuários que quitaram seus financiamentos pelo percentual maior, a diferença entre os índices ora mencionados, em valores corrigidos monetariamente, na forma legal, acrescidos de juros de mora, à taxa de 0,5% ao mês. Determino, em consequência, que o Banco do Brasil S/A promova, incontinenti, a suspensão de todas as execuções judiciais eventualmente existentes, em andamento, relativas a empréstimos efetivados sob as condições impugnadas nesta ação, e providencie para que os débitos sejam adequados ao índice de 41,28%, tanto na esfera judicial quanto na via administrativa, se for o caso. A referida instituição financeira deverá comunicar a todos os seus mutuários a alteração do índice e as modificações decorrentes. Por fim, declaro ilegal o artigo 4º (com os respectivos incisos) da Resolução nº 2.080, de 22.06.94, da lavra do Presidente do Conselho Monetário Nacional, tornando sem efeito as disposições ali contidas (Lei nº 7.347(85, art. 16)”

Julgamento no STJ

Infelizmente, e especialmente devido ao impacto que tal decisão poderia vir a causar nas contas do Banco do Brasil, a Ação levou mais de duas décadas para que fosse decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial nº 1.319.232/DF, concedendo nova vitória aos Produtores:

“RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CRÉDITO RURAL. REAJUSTE DO SALDO DEVEDOR. INDEXAÇÃO AOS ÍNDICES DE POUPANÇA. MARÇO DE 1990. BTNF (41,28%). PRECEDENTES DAS DUAS TURMAS INTEGRANTES DA SEGUNDA SEÇÃO DO STJ. EFICÁCIA "ERGA OMNES". INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 16 DA LEI DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA COMBINADO COM 93, II, E 103, III DO CDC. PRECEDENTES DO STJ.
1. O índice de correção monetária aplicável às cédulas de crédito rural, no mês de março de 1990, nos quais prevista a indexação aos índices da caderneta de poupança, foi o BTN no percentual de 41,28%. Precedentes específicos do STJ.
2. Ajuizada a ação civil pública pelo Ministério Público, com assistência de entidades de classe de âmbito nacional, perante a Seção Judiciária do Distrito Federal e sendo o órgão prolator da decisão final de procedência o Superior Tribunal de Justiça, a eficácia da coisa julgada tem abrangência nacional. Inteligência dos artigos 16 da LACP, 93, II, e 103, III, do CDC.
3. RECURSOS ESPECIAIS PROVIDOS.”
O STJ , em 15/12/2015, reforçou seu entendimento ao julgar os embargos declaratórios no caso e, também por unanimidade, manteve a sua decisão:
“Ante todo exposto, voto no sentido de dar provimento aos recursos especiais para julgar procedentes os pedidos, declarando que o índice de correção monetária aplicável às cédulas de crédito rural, no mês de março de 1990, nos quais prevista a indexação aos índices da caderneta de poupança, foi a variação do BTNF no percentual de 41,28%.
Condeno os réus, solidariamente, ao pagamento das diferenças apuradas entre o IPC de março de 1990 (84, 32%) e o BTNF fixado em idêntico período (41,28%) aos mutuários que efetivamente pagaram com atualização do financiamento por índice ilegal, corrigidos monetariamente os valores a contar do pagamento a maior pelos índices aplicáveis aos débitos judiciais, acrescidos de juros de mora de 0,5% ao mês até a entrada em vigor do Código Civil de 2002 (11.01.2003), quando passarão para 1% ao mês, nos termos do artigo 406 do Código Civil de 2002”.
Situação Atual

Atualmente o julgamento possui duas únicas pendências, a primeira, que não significa qualquer impacto aos produtores, trata do direito ao recebimento de honorários sucumbenciais pelo Ministério Público Federal, outra, que impacta apenas no valor da correção monetária a ser aplicada aos valores devidos pelo Banco do Brasil, a partir da Lei 11.960/09, ou seja, deverá caso procedente, impactar apenas uma pequena parcela do valor que deve ser restituído aos Produtores.
Em resumo, atualmente não há qualquer discussão pendente sobre o cerne da questão, ou seja, o STJ já consolidou sua posição, qual seja, o Banco do Brasil cometeu abusos, cobrando correção acima da devida, cabendo aos produtores direito de restituição dos valores então pagos a maior com incidência de correção e juros desde 1990, mesmo que não mais possuam as cédulas, tenham vendido suas propriedades ou estas já tenham passado aos seus herdeiros.

O artigo foi elaborado por: Caio de Moura Lacerda dos Santos, Fabio Moleiro Franci e Ricardo Rissieri Nakashima – Advogados, a pedido da SINCAL.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Deputado Antônio Carlos Arantes apoia a proposta da SINCAL para criação da OCAFÉ

Em pronunciamento na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Deputado Estadual Antônio Carlos Arantes, defendeu as propostas da Associação dos Cafeicultores do Brasil - SINCAL para criação da OCAFÉ – Organização dos Países Produtores de Café.

A SINCAL agradece o empenho e esforço do Deputado Antonio Carlos Arantes pela atuação em defesa da cafeicultura. 





terça-feira, 4 de junho de 2019

SINCAL trabalha para criação da "OCAFÉ - Organização dos Países Produtores de Café"

A crise do mercado do café motivou audiência da Comissão de Agropecuária



terça-feira, 28 de maio de 2019

SINCAL participa de Audiência pública para debater a crise do Café


Setor cafeeiro cobra políticas para a valorização do produto

Redução dos custos de produção e investimentos em grãos de maior valor agregado são algumas reivindicações do segmento.

A crise do mercado do café motivou audiência da Comissão de Agropecuária
A crise do mercado do café motivou audiência da Comissão de Agropecuária - Foto: Guilherme Bergamini
A defasagem do valor do café no mercado tem causado apreensão nos produtores mineiros. O preço médio do grão não tem coberto sequer os custos de produção, segundo representantes do setor reunidos, nesta segunda-feira (27/5/19), em audiência pública da Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O preço mínimo da saca de café arábica na safra 2019/2020, definido como referência pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de R$ 362, enquanto os gastos envolvidos na produção seriam ao menos R$ 30 superiores. A variedade arábica, de maior qualidade, é a predominante em Minas, Estado responsável por mais da metade da safra nacional.
O preço médio de venda é influenciado pela oferta do produto e pela sua cotação na bolsa de Nova Iorque. Ou seja, a despeito da situação dos produtores mineiros, o valor sofre grande influência do mercado externo.
Para reverter esse quadro, os deputados Antonio Carlos Arantes (PSDB), que solicitou o debate, Bruno Engler (PSL) e Professor Cleiton (DC) cobraram políticas públicas de apoio e proteção ao setor em Minas.
Antonio Carlos Arantes ressaltou que o atual modelo econômico cada vez mais asfixia o produtor, que fica com uma pequena parte dos ganhos auferidos em um mercado bilionário.
Nesse sentido, Professor Cleiton sugeriu a desoneração de insumos agrícolas, bem como investimentos na melhoria de rodovias do Sul de Minas, essenciais para o escoamento dos grãos, e na produção de café de maior valor agregado, o chamado café gourmet.
O deputado citou o exemplo da Alemanha, que não possui plantações de café, mas ocupa lugar de destaque no setor. O país lucra com a transformação do café importado em cápsulas, que têm valor de mercado 70 vezes maior.
Economia mineira – A importância do café para a economia mineira, principalmente em um momento de fragilidade do seu maior pilar, a mineração, foi lembrada tanto por Professor Cleiton quanto por Bruno Engler.
Presidente da Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal), Armando Mattiello salientou que a adequação do valor de mercado do produto poderia trazer bilhões para o Estado. Minas Gerais produziu cerca de 30 milhões de sacas em 2018.
Associação sugere criação de entidade internacional
A Sincal encaminhou à comissão um documento com propostas para o setor. Uma das principais pautas da associação é a criação de uma organização dos países produtores de café, que teria quatro objetivos principais: garantir valores de venda superiores aos custos de produção, fomentar o aumento do consumo do produto, criar estoques estratégicos e planejar a produção, para que a oferta não fique muito acima da demanda.
“O café pode ser um instrumento de produção de riqueza”, afirmou Marco Antônio Jacob, diretor da associação. Segundo ele, o produto, refém da especulação na bolsa, sofreu uma depreciação de 75% de 1982 para cá.
O valor artificial se dá, ainda de acordo com Jacob, pela superoferta de papéis que não correspondem às sacas realmente produzidas.
Os representantes da associação também salientaram o potencial de crescimento do mercado de café, uma vez que apenas um quarto da população mundial consumiria o produto.
Executivo reconhece importância do setor
Assessor da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Níwton Moraes garantiu que o setor recebe uma atenção especial na pasta. Como exemplo de políticas públicas voltadas ao segmento, ele citou a Semana Internacional do Café, com a promoção de café mineiros e o contato direto entre produtores e compradores estrangeiros; programas de certificação do processo produtivo, para garantir maior valor aos produtos de maior qualidade; e a edição de uma norma pelo Executivo estadual que determina a compra de cafés superiores nos órgãos da adminstração pública, para disseminar a cultura do consumo de um bom café.
Financiamento – Rubens José Brito, gerente-geral de Planejamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), apresentou as ações do banco de incentivo e fomento à cafeicultura, entre as quais o aumento de 37% de desembolso para o setor na última safra e a destinação de 16% dos recursos disponibilizados pela instituição em 2019 para o mercado do café, o qual recebeu R$ 760 milhões da verba alocada pelo banco nos últimos quatro anos.
Fonte: Site ALMG

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Diretores da SINCAL participam de audiência com o Vice-Presidente Hamilton Mourão em Brasilia


Na tarde de 08/05, quarta-feira passada, os Diretores da SINCAL Sr. Armando Mattiello, Eric Miranda Abreu, Marcelo Paterno e Marco Antonio Jacob, que foram a Brasília para participar da Reunião da Frente Parlamentar da Cafeicultura, dentre outros compromissos, tiveram uma audiência com o Vice-Presidente da República, o General Hamilton Mourão, onde foram apresentadas as Sugestões de Políticas Cafeeiras Mundiais em documento elaborado pela SINCAL.

         O Deputado Federal General Peternelli os acompanharam durante a audiência.

        Os Diretores da SINCAL também estiveram reunidos com o presidente do SEBRAE o Dr. Carlos Melles, onde foram apresentadas várias propostas e demandas para uma parceria da SINCAL com o SEBRAE.




A SINCAL agradece ao Deputado General Peternelli e ao Dr. Carlos Melles pela prontidão e comprometimento com o setor cafeeiro.




Segue abaixo documento apresentado.





























sexta-feira, 12 de abril de 2019

Assista entrevista com o Presidente da SINCAL, Armando Mattiello no programa Mercado Futuro.




Uma nova organização para o mercado de café. Essa foi a conversa com Armando Mattiello, presidente da Associação dos Cafeicultores do Brasil. Acompanhe!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

SINCAL elege nova diretoria para o próximo mandato.







A Associação dos Cafeicultores do Brasil – SINCAL, realizou eleição de sua nova Diretoria e Conselho Fiscal com a seguinte composição:

Diretoria

Presidente – Armando Mattiello – Guapé/MG
Vice-Presidente – Eric Miranda Abreu – Três Pontas/MG
Tesoureiro – José Vinício da Silva Jr. – São Sebastião do Paraíso/MG
Secretária – Christina Maria Costa Ribeiro do Valle – Guaranésia/MG

Suplentes da Diretoria

Ivo da Silva Bulhões – Machadinho d'Oeste/RO
Marco Antônio Jacob – Espírito Santo do Pinhal/SP
Otávio Lara Silva – Guapé/MG
Fernando Camargo de Souza Barros Junior – São Paulo/SP

Conselho Fiscal

José Carlos Gava Ferrão – Porto Seguro/BA
Gilvan Mendonça de Mesquita – Três Pontas/MG
Marcelo Caixeta Barbosa Paterno – Campos Altos/MG
Marco Antônio Porto Pimenta – Jacuí/MG
Ademir Antônio Coutinho – Cabo Verde/MG
João Carlos Remédio – Jacareí/SP

terça-feira, 2 de abril de 2019

SINCAL encaminha oficio ao Presidente Jair Bolsonaro











sexta-feira, 29 de março de 2019

Produtores de café questionam a eficácia do contrato futuro em NY


Cafeicultores argumentam que cotação da bolsa está abaixo dos custos de produção e pode não ser o mecanismo correto de formação de preços

POR RAPHAEL SALOMÃO

      
     Cafeicultores reclamam de baixos preços do café (Foto: Fabiano Accorsi/Ed. Globo)

Cafeicultores estão questionando a eficiência do contrato da Bolsa de Nova York, o chamado Contrato C, para a formação dos preços internacionais do café. Em comunicado, o Grupo de Coordenação do Fórum Mundial de Produtores de Café manifestou sua preocupação, considerando que as cotações atuais não estão cobrindo os custos de produção.

“Preocupa os países produtores e outros atores que o contrato C atual não seja o mecanismo correto para se saber o preço e que, ao permitir o empobrecimento dos produtores, a indústria do café está arriscando seu próprio futuro”, diz.

O comunicado é assinado por associações de produtores de diversas partes do mundo, como México, Colômbia, Índia, Vietnã, além de representações coletivas de países africanos e centro-americanos. Da parte do Brasil, são signatários o Conselho Nacional do Café (CNC) e a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês).

A preocupação dos produtores é reforçada pelo momento de queda nas cotações do café bolsa norte-americana (ICE Futures US), onde os contratos são negociados a valores abaixo de US$ 1 por libra peso. Só para ser ter uma ideia, desde 25 de janeiro, quando atingiu a máxima do ano, de US$ 1,0990, o vencimento para maio de 2019 teve desvalorização de mais de 14% até a quarta-feira (27/3), quando fechou a US$ 0,9385.

Diante desse cenário, as entidades representativas dos produtores argumentam que o Contrato C sofreu mudanças ao longo do tempo e que, hoje, é reconhecido que as cotações estão abaixo dos custos. Afirmam ainda que uma das causas dessa situação é a especulação feita por fundos de investimento que “não compreendem ou não se importam com o café”.

No texto, o grupo lembra, citando dados da Organização Internacional do Café (OIC), que o café é produzido por cerca de 25 milhões de famílias ao redor do mundo. A maior parte é de pequenos produtores, que enfrenta dificuldades de conseguir renda. E avalia que o empobrecimento dos cafeicultores está destruindo o tecido social de mais de 40 países na África, Ásia e América Latina.

Entre as consequências dessa situação, os países produtores citam o alto fluxo migratório para os Estados Unidos e regiões da Europa e, em alguns casos, a troca dos cafezais por lavouras ilegais. Mencionam também o comprometimento da qualidade do café, já que a queda nos rendimentos inviabiliza os cuidados adequados com a lavoura.

“A promessa de sustentabilidade foca apenas em dois dos seus aspectos: ambiental e social. A sustentabilidade econômica, a renda dos cafeicultores, tem sido descuidada pela cadeia de valor com a premissa de que o mercado é o mercado e devemos deixá-lo governar”, diz o comunicado.
Conselho

O posicionamento, datado de 26 de março, foi distribuído em Nairobi, capital do Quênia, onde é realizada a 124ª sessão do Conselho Internacional do Café (ICC, na sigla em inglês). O encontro, com participação brasileira, vai até esta sexta-feira (29/3) e discute assuntos relativos à produção e o mercado de café.

“Existem sim, muitos questionamentos a respeito do contrato C. O Brasil mesmo, por diversas vezes, fez esse questionamento. Todos nós estamos tentando compreender o mercado e encontrar caminhos para os baixos preços”, explica o deputado federal Evair Melo (PV-ES), que integra a delegação brasileira em Nairobi e respondeu à reportagem via internet.

Segundo o parlamentar, o comunicado foi uma iniciativa dos países produtores, para fomentar o debate sobre a formação de preços. Melo reconhece a complexidade da situação. Avalia que governos e políticas públicas podem ajudar a cafeicultura, mas são insuficientes. De outro lado, não se deve entregar todas as decisões ao mercado livre.
“Em algum momento, será feito um diálogo com a indústria. Todos os esforços serão feitos e todos os atores serão chamados”, afirma o deputado.

Representante do Brasil junto a organizações internacionais sediadas em Londres, entre elas a Organização Internacional do Café (OIC), o embaixador Hermano Telles Ribeiro lembra que a dificuldade com os preços praticados no mercado de café não é nova. E que há anos se discute, no âmbito da própria OIC meios de se mitigar seus efeitos negativos.

O diplomata lembra que o mercado global de café movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano. Desse total, US$ 180 bilhões circulam nas regiões classificadas como consumidoras de café. Ao países produtores e exportadores, resta a fatia de US$ 20 bilhões.

“É preciso discutir uma estratégia comum, pensar em como podemos trabalhar em conjunto, harmonizar a visão dentro de uma tendência de aumento de consumo de café”, diz ele, que também está em Nairobi e conversou por telefone com Globo Rural

O embaixador pontua apenas que a discussão entre países produtores e consumidores de café deve considerar como princípio o livre mercado. “Estamos em um mercado que é livre e esse é o jogo. A resposta tem que ser dada pelo conjunto de países da família do café sem considerar qualquer método artificial de controle nem medidas unilaterais”, diz ele.


Fonte: Site Globo  Rural